Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; instituição flexibilizou regras do débito automático em 2021 e expôs aposentados a fraude (Por Thiago Herdy)
Está nas mãos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, decidir o que fazer para ajudar aposentados a voltar a sentir segurança para deixar o dinheiro no banco.
Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil e Santander expuseram milhares de cidadãos de baixa renda do interior do Brasil a cobranças de débitos automáticos por serviços que os clientes nunca solicitaram, segundo revelou ontem reportagem de Amanda Rossi no UOL.
O problema explodiu depois de 2021, quando o Banco Central passou a permitir que instituições financeiras apenas comunicassem os débitos automáticos aos bancos, sem que os donos das contas fossem perguntados se concordavam.
Vítimas de todo país foram à Justiça em mais de 100 mil processos contra seis grupos de financeiras ou clubes de benefício acusados de tungar correntistas por meio dos bancos.
E quem lucra não é apenas a empresa que solicitou o débito — o banco onde o aposentado tem conta cobra dessa empresa uma tarifa por cada cobrança automática realizada.
Galípolo, que já foi presidente de banco, pode ter mais pressa para resolver o problema se olhar para fotos e assinaturas das carteiras de identidade de vítimas, anexadas aos processos judiciais, reveladas pelo UOL em vídeo.
É gente como a que ele conheceu em 2021, quando acompanhou Lula durante o tradicional evento de fim de ano dos profissionais que recolhem lixo reciclado em São Paulo, o Natal dos Catadores.
O presidente do BC também terá que resolver o que fazer com bancos que descumpriram a regra do Banco Central ao deixar de verificar a autorização de clientes para débitos de empresas não reguladas pelo BC, conforme noticiado hoje pelo UOL.
Neste caso, foram Bradesco, Itaú e Santander.
O slogan do Bradesco é "entre nós, vem você primeiro".
O Itaú, do slogan "com Itaú, tá feito", informou a Amanda Rossi que ressarciu clientes lesados, mas não respondeu se isso ocorreu apenas no âmbito de ações judiciais.
Bradesco, Itaú e Santander tiveram lucro de R$ 74,8 bilhões com suas operações em 2024.
Para provar que seus slogans não são propaganda enganosa, deveriam perguntar a seus clientes se reconhecem os débitos realizados desde 2021 pelas empresas não reguladas pelo BC, processadas por aposentados.
E devolver o dinheiro daqueles que não sabiam o que estava acontecendo. (Fonte: UOL)