Saldo é resultado de 2,27 milhões de contratações e 2,18 milhões de demissões, pior desempenho para o mês desde 2020
Ministro Luiz Marinho culpou a alta da taxa de juros pelo desempenho (Por Cristiane Gercina e Victor Borges) - foto Paulinho Costa feebpr -
O Brasil criou 85.147 vagas formais de trabalho em outubro, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quinta-feira (27).
O saldo, resultado de 2.271.460 admissões e 2.186.313 desligamentos no mês, é o pior para o mês desde outubro de 2020, quando começou a série histórica do Novo Caged. Em outubro de 2024, foram criados 131.424 postos de trabalho.
Os números também ficaram abaixo da expectativa de economistas ouvidos pela agência Reuters, que previam a criação de 105 mil postos de trabalho. O ministro Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) culpou os juros altos pelo desempenho e afirmou que a tendência é seguir desta forma caso o Banco Central não inicie ciclo de queda da taxa Selic, hoje em 15%.
"A gente chama mais uma vez atenção do Banco Central para que olhe isso", disse, ao final da apresentação dos dados do Caged. "Era preciso que o Banco Central desse uma contribuição. Acredito que a economia pode crescer razoavelmente no ano que vem se não tiver aí o freio que está dado."
Marinho elencou as ações do governo para movimentar a economia, como reajuste real do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, que passa a valer a partir de janeiro de 2026. Segundo ele, no entanto, os valores liberados poderão pressionar a inflação caso não haja cenário favorável para investimentos, o que não tem sido possível com a alta dos juros.
O ministro disse ainda que deve pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que libere mais uma vez o dinheiro retido do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para cerca de 13 milhões de trabalhadores que foram demitidos e não puderam sacar os valores. Devem ser injetados R$ 6,5 bi.
"Acredito sinceramente que algumas decisões tomadas vão ajudar o ano que vem na economia, em particular o aumento real do salário mínimo que acontecerá a partir de janeiro também. Pelos dados do arcabouço, crescimento real de 2,5%", disse. "Teremos também a isenção do Imposto de Renda, isso também vai ajudar a economia."
Marinho afirmou não ver com inteligência as decisões do Banco Central. "Isso eu diria que não é a forma mais inteligente de monitorar a economia sob esse aspecto", afirmou.
"Eu posso estar profundamente equivocado; como eu não sou economista, acho que eu tenho direito de dar alguns palpites que não sejam exatamente o tiro no alvo. Espero que os sabidos da economia possam ajudar a encontrar o alvo com o tiro certo, mas eu acho que, por enquanto, o tiro está errado."
Desempenho no ano segue em alta, mas cai em 12 meses
No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o saldo de empregos é positivo em 1.800.650 de vagas com carteira assinada, crescimento de 3,8%.
Nos últimos 12 meses, porém, houve queda na criação de postos. De novembro de 2024 a outubro de 2025, o saldo chega a 1.351.832 postos de trabalho, inferior ao registrado entre novembro de 2023 e outubro de 2024, quando foram criadas 1.796.543 vagas.
Com o resultado, o estoque de empregos formais no país alcança 48.995.950 vínculos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Dos cinco principais grupos de atividades econômicas monitorados, só dois registraram saldos positivos de vagas em outubro. O setor de serviços liderou a abertura, com 82,4 mil postos, seguido pelo comércio, com 25,6 mil.
No lado negativo, a construção fechou 2.875 postos, enquanto os setores de agropecuária e indústria registraram fechamento de 9.917 e 10.092 vagas, respectivamente, segundo dados sem ajustes com informações prestadas pelas empresas fora do prazo.
Marinho também apontou fatores sazonais do agronegócio como um dos que afetaram o resultado do setor no mês passado.
Para o economista sênior do Inter, André Valério, o resultado reforça a tendência de acomodação no emprego e vai ao encontro de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) que, segundo ele, apontam que o mercado de trabalho está próximo do pico.
"O Caged reforça essa visão, com a média móvel de seis meses das admissões mantendo tendência de queda", disse em nota. "Ainda assim, esperamos que o mercado de trabalho mantenha robustez no restante desse ano e ao longo do ano que vem, perdendo dinamismo de maneira gradual. Esperamos uma taxa de desemprego de 5,5% ao final desse ano e de 6,4% ao final de 2026." (Fonte: Filha de SP)