OUTRO LADO: Paulo Henrique Costa - foto - disse que não irá se manifestar; quadro mostra que ele não é rico, diz defesa. Ex-chefe da instituição, investigada no caso Master, foi afastado em novembro de 2025 (Por Nathalia Garcia)
O BRB (Banco de Brasília) pede à Justiça a penhora de imóveis do ex-presidente Paulo Henrique Costa, que deve R$ 1,78 milhão à instituição estatal do Distrito Federal. O antigo dirigente é investigado por suspeitas de irregularidades em transações com o Banco Master.
O banco cobra de Paulo Henrique o pagamento de duas dívidas, uma de empréstimos consignados (descontados em folha) no valor de R$ 799.435,79 e outra de empréstimos pessoais (debitados em conta corrente) no total de R$ 978.352,60.
Procurado, o ex-presidente do BRB disse que não irá se manifestar sobre o assunto. A defesa dele afirmou que esse quadro mostra que Paulo Henrique não é um homem rico, "pois ninguém tomaria empréstimo por mera recreação."
A instituição do Distrito Federal recebeu autorização da Justiça para registrar esses dois processos nas matrículas dos imóveis que foram encontrados em nome de Costa, o que criaria um obstáculo para o ex-chefe do BRB vender esses bens.
Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, são mais de cinco propriedades, entre apartamentos e casas.
De acordo com um interlocutor a par das tratativas, o BRB está aguardando que o ex-presidente seja informado da decisão judicial para, então, solicitar a execução da penhora dos imóveis.
No caso do débito de R$ 799 mil, deixaram de ser pagas parcelas de quatro empréstimos contraídos por Costa junto ao BRB entre junho de 2021 e outubro de 2024. Havia parcelas previstas até 2036.
"O inadimplemento no pagamento das prestações ajustadas ocasionou o vencimento antecipado da totalidade da dívida", disse o banco no processo.
Em decisão favorável ao BRB, a 3ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais e Conflitos Arbitrais de Brasília determinou o pagamento da dívida, somadas as despesas processuais e metade dos honorários de advogado (5% sobre o valor do débito), em três dias úteis.
Em caso de parcelamento, ele deve depositar ao menos 30% do valor total da dívida, além das custas do processo e os honorários de advogado (que sobem a 10% sobre o valor do débito), em 15 dias úteis. O restante a ser pago pode ser parcelado em até seis parcelas mensais, com atualização monetária e juros de mora de 1% ao mês.
A ausência de pagamento de qualquer parcela causará o vencimento imediato das demais prestações e a retomada do bloqueio dos bens dele, além da aplicação de multa de 10% sobre o saldo da dívida.
Paulo Henrique tem até 15 dias após a citação para contestar a ação ou pagar os valores devidos. Depois desse prazo, o juiz decidirá pela efetividade da penhora dos bens.
No outro processo, a 16ª Vara Cível de Brasília determinou que Paulo Henrique fosse informado da necessidade de quitar dívida de R$ 978 mil, além do pagamento de honorários advocatícios de 5% do valor atribuído à causa. Nesse caso, foram tomados 11 empréstimos pessoais entre novembro de 2020 e janeiro de 2024.
Como mostrou a Folha, houve expansão de mais de 500% no volume de recursos emprestados pelo BRB para sua própria diretoria –salto de R$ 36,3 milhões em dezembro de 2024 para R$ 226 milhões em junho de 2025.
O grupo de executivos incluídos na diretoria é formado por conselho de administração, diretoria executiva, conselho fiscal, comitê de auditoria do banco e subsidiárias, o que engloba cerca de 30 pessoas. A cifra também inclui empréstimos para parentes até segundo grau e empresas.
O crescimento dos empréstimos para alta cúpula ocorreu durante a gestão de Paulo Henrique, que tomou posse como presidente da instituição em 2019.
Ele foi afastado do banco em 18 de novembro de 2025, quando foi deflagrada a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que culminou na liquidação do Banco Master e na primeira prisão de Daniel Vorcaro.
Em resposta a um requerimento de autoria da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) solicitando informações sobre o aumento expressivo do volume de empréstimos para própria diretoria, o BRB argumentou que o modelo de governança assegurava a conformidade regulatória e normativa das operações.
Segundo ofício de 4 de fevereiro, ao qual a Folha teve acesso, o banco também informou que as operações de crédito para sua diretoria eram realizadas em condições equivalentes às ofertadas ao público em geral, observando-se os mesmos critérios de avaliação de risco, sem concessão de taxas, prazos, carências, limites ou garantias diferenciadas.
De acordo com a instituição, a inadimplência nas operações de crédito vinculadas a diretores e administradores atingiu 0,83% em janeiro de 2026. Na mesma data-base, o índice de inadimplência da carteira total do banco foi de 1,97%.
"A inadimplência das operações com partes relacionadas mantém-se em patamar inferior àquela observada no conjunto das operações de crédito da instituição", afirmou.
"Eventuais operações inadimplentes envolvendo diretores e administradores são tratadas com isonomia, observando-se integralmente as políticas de crédito da instituição". (Fonte: Folha de SP)
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