Com lucros bilionários o setor bancário segue como um dos mais lucrativos e com o maior acúmulo de patrimônio líquido do país. Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Somente no 1º trimestre deste ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, no ano passado o setor bancário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, em 2025, que foram eletroeletrônica e mecânica, que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões.
Os bancos possuem total capacidade de atender nossas reivindicações e valorizar os trabalhadores que constroem seus resultados com aumento real.
Banqueiros podem pagar
Os dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação mostram, de forma inequívoca, que os banqueiros possuem todas as condições para atender às reivindicações da categoria:
Bancários precisam ser valorizados
Além dos dados econômicos, o Comando Nacional apresentou dados referentes à trajetória da remuneração da categoria, que comprovam a necessidade de valorização dos trabalhadores:
Retorno sobre a mesa de Saúde e Condições de Trabalho
A Fenaban também deu retorno das reivindicações do Comando dos Bancários sobre saúde e condições de trabalho, apresentadas na negociação de 21 de julho. Porém, também trouxe para a mesa pontos que representam ataques aos direitos, rechaçados pela representação dos trabalhadores.
Embora os bancos representem apenas 0,7% do estoque de empregos do país, foram responsáveis por 2,8% do total de afastamentos acidentários registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024.
Quando considerados apenas transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos lideraram o ranking de atividades com maior número de afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e ficaram na quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.
Entre as reivindicações para enfrentar o atual cenário de adoecimento da categoria, os bancários cobram a participação da representação dos trabalhadores na elaboração, implementação e acompanhamento do plano de gerenciamento dos riscos psicossociais (PGR), incluindo o mapeamento dos fatores de risco e a definição de ações de prevenção e combate ao assédio moral, conforme determina a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Por sua vez, a Fenaban sinalizou disposição para debater periodicamente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e na mesa nacional de negociação. Consideramos um avanço e esperamos que estes debates resultem em medidas para prevenir o adoecimento.
Entretanto, a Fenaban argumentou também que os dados referentes à saúde dos trabalhadores estariam sendo impactados por uma maior facilidade de obtenção de atestados médicos, aumento no número de profissionais de saúde e ausência de perícia pelo INSS para concessão de afastamentos. Os banqueiros também criticaram os dados da plataforma Smartlab.
O adoecimento da nossa categoria não pode ser atribuído à maior facilidade de acesso a serviços e atestados médicos, mas sim ao modelo de gestão dos bancos, marcado por metas abusivas, pressão por resultados, assédio e sobrecarga. Reforçamos nossas reivindicações, deixando claro que o debate sobre a saúde dos trabalhadores deve ser focado na prevenção e na melhoria das condições de trabalho, e não colocando em xeque atestados médicos e afastamentos.
Não compactuamos com fraudes. Também não podemos pautar o debate a partir de má-fé, seja de alguns médicos ou de trabalhadores. Entidades internacionais, como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a OMS (Organização Mundial da Saúde), e nacionais, como o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho, afirmam que a sobrecarga no trabalho está diretamente relacionada ao adoecimento mental dos trabalhadores.
A Fenaban solicitou ainda a revisão da Cláusula 29 da CCT, que trata da complementação do benefício por incapacidade temporária, de natureza previdenciária ou acidentária. Os banqueiros colocaram como proposta que o médico do trabalho dos bancos possa avaliar, a cada 45 dias, a continuidade do direito à complementação.
O Comando dos Bancários ressaltou, no entanto, que repudia qualquer alteração que possa resultar em restrição de direitos ou prejuízos aos trabalhadores. Por sua vez, diante da reação do Comando, a Fenaban recuou da proposta sobre a Cláusula 29, mas o debate sobre saúde e condições de trabalho será retomado nas próximas negociações. (Com Seeb SP)