Ex-diretor do banco é alvo de operação sobre suposta lavagem de dinheiro; Receita afirma que recursos de clientes não estão envolvidos (Por Marília Almeida) - foto divulgação -
Resumo
O Banco Genial está sob investigação na Operação Crédito Oculto, que apura lavagem de dinheiro na compra de uma distribuidora de combustíveis. Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do banco, é um dos alvos. A operação envolve mandados em sete Estados e investiga estruturas financeiras para ocultar patrimônio. O Genial afirma que Tupinambá saiu em 2026 e colabora com as autoridades. A Receita Federal diz que os recursos dos clientes não estão envolvidos no esquema. |
O Banco Genial voltou ao centro de uma investigação nesta quinta-feira (24), após um ex-diretor e ex-sócio da instituição se tornar alvo da Operação Crédito Oculto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à compra de uma distribuidora de combustíveis. Segundo a Receita Federal, os recursos dos clientes do banco não estão envolvidos no esquema investigado.
Entre os alvos está Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-sócio e ex-diretor do Genial. A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e outros órgãos.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas em sete Estados. Segundo a Receita, as investigações apontam para o uso de estruturas financeiras e de investimentos para ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e viabilizar a aquisição da distribuidora. Uma das estruturas analisadas movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Genial diz que ex-sócio deixou o banco em maio
Em posicionamento divulgado nesta quinta-feira, o Banco Genial afirmou que Tupinambá não integra mais a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído. O banco também informou que, após tomar conhecimento dos fatos, instaurou uma investigação interna, revisou processos de governança relacionados às operações de crédito e afastou o executivo dos respectivos processos decisórios antes de sua destituição.
A instituição também afirmou que forneceu ao Gaeco informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, incluindo as empresas Berna e Branson Holdings, e que comunicou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O Genial disse ainda que, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, renunciou à administração do Radford e continua colaborando com as autoridades.
Qual é a relação do banco com o esquema investigado?
Segundo a Receita Federal, a estrutura investigada para a aquisição da distribuidora de combustíveis envolvia um banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para afastar os recursos empregados na operação de seus verdadeiros financiadores e beneficiários.
O caso passa pelo Radford Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado. Segundo informações prestadas pelo próprio Genial ao Gaeco, o fundo havia sido transferido para administração e custódia do banco em 2024 e tinha a Usina Itajobi como cotista.
O dinheiro dos clientes do Genial está em risco?
A deflagração da Operação Crédito Oculto, por si só, não significa que os recursos de clientes do Banco Genial possam ser bloqueados ou que os investidores possam perder dinheiro.
A investigação tem como alvos pessoas e empresas específicas e busca esclarecer a participação delas na estrutura financeira investigada. A Receita Federal afirma que os recursos de clientes do banco não estão envolvidos no esquema.
É importante distinguir o patrimônio do banco e os ativos que pertencem aos clientes. Em investimentos, muitos produtos ficam registrados em nome do próprio investidor ou em estruturas patrimoniais segregadas, dependendo do produto.
Ou seja, uma investigação envolvendo um executivo ou determinadas operações da instituição não significa automaticamente que todo o patrimônio administrado ou custodiado pelo banco esteja exposto ao caso.
A investigação, porém, ainda está em andamento. Caso as autoridades identifiquem irregularidades envolvendo diretamente a instituição, podem surgir consequências regulatórias, jurídicas, reputacionais ou de governança. Até o momento, porém, a apuração divulgada se concentra em operações e pessoas específicas.
E se o cliente tiver dinheiro no próprio Banco Genial?
Para quem possui saldo em conta ou produtos bancários emitidos pelo Genial, a análise é diferente daquela feita para fundos ou ativos de terceiros.
Em caso de eventual problema de liquidez ou insolvência de uma instituição financeira, a proteção depende do produto.
Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e outros instrumentos elegíveis podem contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), observados os limites e as regras aplicáveis.
Já ações, cotas de fundos, títulos públicos e outros ativos não têm proteção do FGC. Esses investimentos possuem estruturas próprias de registro e segregação patrimonial. Ações e títulos públicos pertencem ao investidor, enquanto os ativos de um fundo constituem patrimônio separado do administrador e do gestor. Assim, uma eventual quebra da instituição que faz a intermediação ou administração não significa automaticamente perda desses ativos.
O que muda para quem tem investimentos no Genial?
Carlos Ferrari, advogado especializado no mercado de capitais, aponta que até o momento, as informações públicas não permitem concluir que exista risco de solvência ou de liquidez da Genial, nem que os ativos custodiados dos clientes estejam comprometidos. O episódio, contudo, é relevante sob os aspectos investigativo, reputacional, de compliance e governança e deve continuar sendo acompanhado.
Para o cliente, os principais pontos a serem monitorados agora são: eventual determinação de bloqueio ou indisponibilidade de ativos da instituição; manifestações do Banco Central, CVM, Coaf ou outras autoridades reguladoras; mudanças na administração, controle ou estrutura de capital do banco.
Também devem ser acompanhadas eventuais alterações na situação dos fundos administrados ou custodiados pela instituição; e, principalmente, se a investigação passar de operações específicas para eventuais irregularidades envolvendo outras áreas ou produtos do banco. (Fonte: Estadão)
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